Gosto bastante da noite.
É o momento preferido do dia. Gosto do silêncio, da ideia de mais ninguém estar acordado, de estar sozinha. Sou eu e não tenho ninguém a chatear-me, não tenho barulho a distrair-me. Todos dormem e eu posso ser eu... E, se pudesse, sê-lo-ia a noite toda.
Mas tenho de acordar cedo no dia seguinte.
É a noite. E todos descansam. E eu olho para o vazio e imagino. Até a minha gata dorme.
Olho à minha volta e é o nada. O sentimento não é o mesmo, e eu peço às horas parar não passarem. Não quero um dia seguinte; quero a noite de hoje. Quero o tempo, quero tudo, quero a falta de luz que me acalma e permite ser eu. Sem o tempo.
Eu e o tempo estamos zangados. Ele passa por mim a correr e já nem dá pela minha presença.
O ponto é: é a noite. Todos dormem, e tu? Eu sonho acordada. Imagino e por vezes fico onde estou. Não há força nem energia para sequer acordar. Não somos mais donos da vontade - tanto queremos mas a fragilidade do nosso corpo físico e mental cedeu. E à noite somos nós. Não se pode lutar.
Deito-me em cima da cama e olho para o tecto, por cima da colcha. O cansaço é tanto que gostaria de ficar nesta posição e não mais me mexer.
A luz do candeeiro é ténue e amarela. É reconfortante porque é só minha e só eu estou acordada, só eu devaneio e ninguém me pode mudar o rumo, como durante o dia.
Não comandamos as nossas vidas, estas levam-nos atrás. E à noite pouso a cabeça na almofada e afasto os cabelos para o lado, e vou dormir. E não durmo, não há tempo, e estou cansada e o tempo não volta.
Imagino que estás comigo, quando estou deitada. As lágrimas por vezes encontram o seu caminho para fora. E imagino que nunca estou sozinha e que por um único segundo no mundo, a vida é perfeita. E que nunca partiste de ao pé de mim. E vou dormir e estás comigo durante esse segundo perfeito em que o mundo não abate sobre mim, à noite. A noite.
E o dia. O dia que com tudo acaba. O dia que me arrasta quando eu já não consigo ir. E onde eu espero pela noite. Onde ninguém me fala. Onde ninguém me chateia. Onde ninguém me questiona. A noite que não me dá descanso.
Mas a noite que me ama para lá do dia.
Eu vou dormir e imagino.
A vida é impressionante. O quanto uma vida pode mudar, no espaço de um ano. Tudo muda, tudo o que conhecíamos mudou e por fim acabou.
E ainda bem. A vida é feita de estágios, e cada estágio tem o seu tema, diferente dos seus sucessores e predecessores. E cada qual tem um objectivo: preparar-nos para a vida. É curioso, a vida prepara-nos para ela própria. E sabem porquê? Porque a pessoa mais importante da nossa vida somos nós, e ela quer tanto quanto nós que sejams felizes. E talvez tenhas chorado e acredito que não foste feliz aí, mas e agora? És feliz. E porquê? Porque a vida te preparou para ela.
A vida muda tanto em tão pouco tempo, e apesar de todo o sofrimento que ela proporciona por vezes, ela também nos diz: é o teu tempo de seres feliz. E eu sou. Chegou o meu tempo de ser feliz. E já sou há algum tempo. A partir do momento em que deixei de apenas respirar e passei a viver, fui feliz. Sózinha ou acompanhada, eu sou feliz. Porque eu não estou só; tenho a pessoa mais importante do mundo comigo: eu.
A vida mudou. Eu fiz por isso. Não se é feliz sendo sugado por um vórtex de sofrimento. E eu não sou. Eu sou feliz, porque eu fiz pela minha vida, eu lutei pelo que queria, ser feliz. Por isso, luta para seres feliz. A princípio tudo pode doer, mas és a pessoa mais forte do universo e serás feliz!
Tudo o que eu conhecia acabou. Coisas que sinto saudade, outras que queria apagar, mas a verdade é que todos os estágios levaram a uma coisa: ser feliz.
Bastava seguir o guia da Addison.
PS- Voltei.
. How Many Lives Are Living...